Como usar a nota do ENEM para estudar no exterior?

Mais de 50 universidades internacionais aceitam o ENEM. Entenda quais países participam e o que você precisa fazer.

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BRASA Ensina

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Para muitos estudantes brasileiros, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) representa a porta de entrada para o ensino superior no Brasil. O que nem todos sabem é que essa mesma nota pode abrir portas em universidades de outros países. Mais de 50 instituições ao redor do mundo aceitam o ENEM como parte do processo seletivo de admissão, incluindo nomes como a Universidade de Coimbra, em Portugal, a Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, e a Universidade de Toronto, no Canadá.

Este artigo explica como esse processo funciona, quais países participam e o que mais é necessário para tornar essa possibilidade real.

O primeiro ponto a compreender é que a aceitação do ENEM varia bastante de uma instituição para outra. Não são todas as universidades de um determinado país que participam, e nem todos os cursos dentro de uma mesma instituição necessariamente adotam essa modalidade. Cada universidade estabelece seus próprios critérios, incluindo notas mínimas exigidas e o peso atribuído a cada área do exame.

Esses pesos, em geral, acompanham a lógica da área de estudo escolhida. Para cursos de Engenharia, a nota de Matemática tende a ter maior relevância. Para Relações Internacionais, Ciências Humanas e Redação costumam receber maior destaque. Para áreas como Biologia ou Neurociência, o desempenho em Ciências da Natureza é especialmente valorizado. Consultar diretamente o edital de cada instituição é sempre o caminho mais seguro para entender os critérios específicos.

Isabela Barcelos

Board da BRASA e estudante de Ciência da Engenharia com especialização em Engenharia Biomédica, University of Toronto

“Inicialmente, não estava pensando em aplicar para a Universidade de Toronto, sobretudo por não saber sobre. Foi meu professor de inglês que me recomendou a UofT e falou que aceitavam a nota do ENEM como substituto do SAT. Eu tinha feito o SAT e tinha tirado uma nota até boa, mas meu ENEM tinha sido muito mais forte, até porque a minha escola focava muito em Medicina. Por isso, decidi enviar a minha candidatura com o ENEM, por acreditar que representava melhor minhas habilidades."

Isabela Barcelos

Board da BRASA e estudante de Ciência da Engenharia com especialização em Engenharia Biomédica, University of Toronto

“Inicialmente, não estava pensando em aplicar para a Universidade de Toronto, sobretudo por não saber sobre. Foi meu professor de inglês que me recomendou a UofT e falou que aceitavam a nota do ENEM como substituto do SAT. Eu tinha feito o SAT e tinha tirado uma nota até boa, mas meu ENEM tinha sido muito mais forte, até porque a minha escola focava muito em Medicina. Por isso, decidi enviar a minha candidatura com o ENEM, por acreditar que representava melhor minhas habilidades."

O ENEM como parte de um conjunto

A avaliação holística e o que as universidades estrangeiras realmente buscam

Um aspecto central do processo seletivo de universidades estrangeiras é a chamada avaliação holística. Esse modelo parte do princípio de que uma nota, por mais expressiva que seja, não é suficiente para retratar um estudante em sua totalidade. As instituições querem compreender quem é o candidato, como ele utilizou as oportunidades que teve ao longo da vida acadêmica e com que clareza ele articula seus objetivos.Na prática, isso significa que o ENEM raramente é o único documento exigido. A candidatura pode incluir:

  1. Histórico escolar completo

  2. Carta de motivação ou redações complementares;

  3. Lista de atividades extracurriculares ou currículo;

  4. Cartas de recomendação;

  5. Outros documentos solicitados pela instituição.

Essa perspectiva tem uma implicação direta e importante: uma nota mediana no ENEM não elimina automaticamente um candidato, assim como uma nota excelente não garante a aprovação. O que define o resultado é a qualidade e a coerência do conjunto apresentado.

Outro ponto que exige planejamento cuidadoso é o calendário dos processos seletivos internacionais. Em muitos países, as candidaturas abrem meses antes do que os estudantes brasileiros estão habituados, frequentemente antes mesmo de o ENEM acontecer.

Isso significa que acompanhar os editais com antecedência, organizar a documentação necessária e compreender cada fase do processo são etapas tão importantes quanto a preparação para a prova em si. Estudantes que já passaram por esse processo são unânimes em um conselho: quanto mais cedo o planejamento começar, melhor.

Miguel Gasparini

Estudante de Música Moderna Comercial, BIMM Dublin Music Institute

"Comecei pesquisando por conta própria como funcionava o processo de candidatura para as universidades aqui. Fui direto às secretarias, li os regulamentos de cada instituição e fui entendendo o caminho aos poucos. Descobri que precisaria traduzir tudo: diploma, histórico escolar, notas do ENEM e qualquer curso ou certificado extra que eu tivesse feito no Brasil - tudo para somar pontos na candidatura. Depois de traduzidos, ainda precisei validar os documentos aqui na Irlanda, na polícia local.

Com tudo em mãos, enviei a candidatura e aguardei. Também tive que passar por uma audição, mas isso foi porque escolhi um curso de música, todos os candidatos passam por essa etapa.

Nunca contei com agência nem com ajuda de ninguém. Fiz tudo sozinho, batalhei bastante,  mas no fim deu certo."

Miguel Gasparini

Estudante de Música Moderna Comercial, BIMM Dublin Music Institute

"Comecei pesquisando por conta própria como funcionava o processo de candidatura para as universidades aqui. Fui direto às secretarias, li os regulamentos de cada instituição e fui entendendo o caminho aos poucos. Descobri que precisaria traduzir tudo: diploma, histórico escolar, notas do ENEM e qualquer curso ou certificado extra que eu tivesse feito no Brasil - tudo para somar pontos na candidatura. Depois de traduzidos, ainda precisei validar os documentos aqui na Irlanda, na polícia local.

Com tudo em mãos, enviei a candidatura e aguardei. Também tive que passar por uma audição, mas isso foi porque escolhi um curso de música, todos os candidatos passam por essa etapa.

Nunca contei com agência nem com ajuda de ninguém. Fiz tudo sozinho, batalhei bastante,  mas no fim deu certo."

Portugal: o programa Enem Portugal

Portugal foi um dos primeiros países a formalizar acordos com o governo brasileiro para o uso do ENEM em processos seletivos universitários, dando origem ao programa conhecido como "Enem Portugal". Mais de 30 instituições públicas e privadas participam da iniciativa, entre elas universidades de Coimbra, Lisboa, Porto, Algarve e outras cidades do país.

Em geral, o processo em Portugal concentra maior peso na nota do exame, com critérios específicos definidos por área e por curso. Ainda assim, cada instituição mantém autonomia para estabelecer suas próprias regras de admissão, o que reforça a necessidade de consultar diretamente os sites e editais de cada universidade de interesse.

Andrey Monaro

Estudante de Engenharia Química no Instituto Superior Técnico, da Universidade de Lisboa

“Portugal entrou no mapa para mim quando descobri que o acordo entre países de língua portuguesa me permitia entrar como estudante de forma muito mais acessível e prática. Acabei indo para o Instituto Superior Técnico (IST) com a minha nota do ENEM, e todo o processo foi facilitado pelo escritório de admissões internacionais.”

Andrey Monaro

Estudante de Engenharia Química no Instituto Superior Técnico, da Universidade de Lisboa

“Portugal entrou no mapa para mim quando descobri que o acordo entre países de língua portuguesa me permitia entrar como estudante de forma muito mais acessível e prática. Acabei indo para o Instituto Superior Técnico (IST) com a minha nota do ENEM, e todo o processo foi facilitado pelo escritório de admissões internacionais.”


Estados Unidos: o ENEM como elemento complementar

Nos Estados Unidos, o uso do ENEM funciona de forma diferente. A nota pode integrar a candidatura, mas raramente substitui outros exames ou elementos do processo seletivo. Nas universidades americanas, o perfil completo do candidato tem peso muito significativo, incluindo desempenho acadêmico ao longo dos anos, atividades extracurriculares, redações pessoais e cartas de recomendação.

Entre as instituições que aceitam o ENEM estão Northeastern University, New York University (NYU) e Temple University, além de outras. A recomendação, nesse contexto, é verificar com atenção as exigências específicas de cada programa antes de iniciar a candidatura.

Como dar os próximos passos?

Se você chegou até aqui, uma lista com as 52 universidades ao redor do mundo que aceitam o ENEM e depoimentos de estudantes que usaram o vestibular no exterior. Clica aqui. Esse material pode servir como ponto de partida para a construção de uma college list alinhada com seus objetivos e prioridades.

Usar o ENEM como ferramenta de acesso ao ensino internacional é uma possibilidade concreta. Com informação adequada, planejamento e dedicação, ela pode se tornar parte da sua trajetória.

Cada trajetória começa com uma decisão: pesquisar, planejar e entender quais caminhos existem para o seu perfil. A BRASA Ensina existe exatamente para isso, oferecendo informação acessível e apoio concreto para que você identifique a rota que faz mais sentido para a sua história. O próximo passo é seu, e a BRASA ensina.

Em breve, a BRASA Ensina estará no Portal BRASA. Explore nosso portal aqui!