Como estudar medicina e direito fora do Brasil?

Dois cursos com caminhos específicos no exterior: entenda admissão, estrutura e perspectivas de carreira.

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BRASA Ensina

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Você já sabe que quer seguir uma carreira em Direito ou em Medicina. Talvez já tenha até pesquisado algumas universidades fora do Brasil. Mas existe uma pergunta que precisa vir antes de qualquer lista de instituições, qualquer comparação de custos ou qualquer pesquisa sobre processos seletivos: onde você quer exercer a sua profissão?

Essa pergunta muda tudo. Direito e Medicina são cursos regulamentados, o que significa que o diploma obtido no exterior não garante automaticamente o direito de exercer a profissão, nem no Brasil nem no país onde você se formou. Cada destino tem suas próprias exigências de licenciamento, e ignorar esse detalhe no início do planejamento pode custar anos de retrabalho no final.

Neste artigo, a BRASA Ensina aborda os dois cursos com honestidade: o que cada caminho exige, quais destinos fazem mais sentido para brasileiros e o que considerar antes de tomar essa decisão.

O Que Cursos Regulamentados Têm de Diferente?

Antes de escolher o destino, entenda a lógica da revalidação

A maioria dos cursos universitários permite que o diploma obtido no exterior seja reconhecido no Brasil de forma relativamente direta. Com cursos regulamentados, o processo é diferente. Tanto o diploma de Medicina quanto o de Direito obtidos fora do país precisam passar por processos específicos de revalidação para que o profissional possa exercer legalmente no Brasil.

No caso da Medicina, o caminho é o REVALIDA, exame nacional aplicado pelo MEC e pelo INEP, com duas fases: uma prova teórica e uma prova de habilidades clínicas. O exame é aplicado poucas vezes por ano, tem vagas limitadas e é historicamente competitivo. Planejar a preparação para o REVALIDA deve começar antes mesmo de terminar o curso no exterior.

No caso do Direito, a revalidação é feita diretamente pelas universidades brasileiras credenciadas pelo MEC, sem um exame nacional único. O processo varia de instituição para instituição e pode incluir análise curricular, provas e entrevistas. Após a revalidação do diploma, o profissional ainda precisa ser aprovado no Exame da OAB para exercer a advocacia no Brasil.

Se o objetivo é exercer no país onde você se formou, o caminho é diferente: cada país tem seus próprios requisitos de licenciamento, que variam bastante e que precisam ser pesquisados com antecedência. Ser brasileira sem outras nacionalidades não impede esse caminho, mas adiciona etapas burocráticas que precisam entrar no planejamento desde o início.

Direito no Exterior

Graduação, LLM ou JD: a escolha certa depende do momento da sua carreira

Portugal é o destino mais acessível linguísticamente e tem uma relação histórica próxima com o sistema jurídico brasileiro, já que ambos derivam do direito romano-germânico. Universidades como a Universidade de Lisboa, a Universidade do Porto e a Universidade de Coimbra têm faculdades de Direito reconhecidas, e o processo de admissão para estudantes brasileiros pode ser feito via ENEM em muitas instituições. Um ponto relevante: o diploma português de Direito pode facilitar o reconhecimento em outros países da União Europeia.

Karoline Marques

Board da BRASA e estudante de Direito, Universidade Europeia

"Quando me mudei para Portugal, achei que teria que abandonar o Direito, o que  não era uma opção para mim. Tinha começado o curso na Universidade de Brasília e não queria largar tudo. Foi aí que comecei a pesquisar e descobri algo que mudou tudo: não precisava desistir, só precisar transferir. Para fazer a transferência, usei a nota do ENEM e informei que já havia concluído uma parte do curso no Brasil, para que pudessem equivaler as disciplinas. Foi mais simples do que eu imaginava."

Karoline Marques

Board da BRASA e estudante de Direito, Universidade Europeia

"Quando me mudei para Portugal, achei que teria que abandonar o Direito, o que  não era uma opção para mim. Tinha começado o curso na Universidade de Brasília e não queria largar tudo. Foi aí que comecei a pesquisar e descobri algo que mudou tudo: não precisava desistir, só precisar transferir. Para fazer a transferência, usei a nota do ENEM e informei que já havia concluído uma parte do curso no Brasil, para que pudessem equivaler as disciplinas. Foi mais simples do que eu imaginava."

A França tem forte tradição acadêmica em Direito Internacional e Direito Europeu, com instituições como a Universidade Paris I Panthéon-Sorbonne e Sciences Po Paris como referências mundiais. O grande atrativo é o custo: as universidades públicas francesas têm mensalidades muito baixas mesmo para estrangeiros. O principal obstáculo é o idioma, já que a maioria dos programas de graduação é ministrada em francês. A Alemanha segue lógica similar: programas praticamente sem mensalidades, mas quase exclusivamente em alemão para a graduação. Para pós-graduação, há mais opções em inglês, especialmente em Direito Internacional e Direito Europeu.

No Reino Unido, Direito é oferecido como graduação de três anos em universidades como Oxford, Cambridge, LSE e UCL. Para quem já é formado, o LLM britânico é igualmente prestigiado e segue o formato de um ano. O exercício da advocacia no Reino Unido exige qualificações adicionais após a graduação, como o Legal Practice Course para solicitors ou o Bar Professional Training Course para barristers.

Nos Estados Unidos, por outro lado, Direito não é oferecido como graduação. O caminho é o JD, um programa de pós-graduação de três anos que exige diploma universitário prévio em qualquer área. O processo de admissão inclui o LSAT, prova específica para candidaturas a programas de Direito, além de cartas de recomendação e personal statement. Para quem já tem o bacharelado em Direito no Brasil, existe uma alternativa mais direta: o LLM, mestrado de um ano voltado para profissionais já formados, muito valorizado no mercado jurídico brasileiro, especialmente em escritórios com atuação internacional. Universidades como NYU, Georgetown e Harvard oferecem programas de LLM com forte reputação. Formar-se em Direito nos Estados Unidos não habilita automaticamente o exercício da advocacia: é necessário passar no Bar Exam do estado onde se pretende atuar.

Medicina no Exterior 

Do destino mais acessível ao mais prestigiado: o que cada caminho exige?

A Argentina é de longe o destino mais procurado por brasileiros para Medicina. Universidades públicas como a UBA não cobram mensalidades, nem de estrangeiros, e o curso dura seis anos. O processo de admissão não tem vestibular formal: o ingresso é por desempenho nas disciplinas iniciais. O espanhol é indispensável, mas para brasileiros a adaptação costuma ser rápida. O custo de vida em Buenos Aires é acessível, embora sujeito à instabilidade econômica do país.

Curiosidade: Atualmente, cerca de 20.255 estudantes brasileiros estão matriculados em cursos de medicina na Argentina, segundo dados de 2022.

A República Tcheca e a Hungria têm se destacado como destinos europeus para Medicina em inglês. Universidades como a Universidade Charles em Praga e a Universidade de Semmelweis em Budapeste oferecem programas de seis anos reconhecidos internacionalmente, com custos na faixa de 10 a 15 mil euros por ano, significativamente menores do que no Reino Unido ou nos Estados Unidos. O diploma europeu facilita o processo de licenciamento em outros países da União Europeia, o que é uma vantagem relevante para quem considera ficar no continente após a formação.

Portugal é uma opção naturalmente atraente pela língua, mas é importante ser realista: as vagas para estudantes estrangeiros nas faculdades de Medicina portuguesas são extremamente limitadas e muito disputadas. A Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e a do Porto estão entre as mais concorridas do país, e as notas exigidas são altas.

Os Estados Unidos seguem uma lógica diferente: Medicina não é graduação, mas um programa de pós-graduação chamado MD, com duração de quatro anos, que exige uma graduação prévia em ciências biológicas ou área afim. O processo de admissão inclui o MCAT, cartas de recomendação e experiência em pesquisa e voluntariado clínico. Os custos frequentemente ultrapassam 50 mil dólares por ano, e as bolsas para estudantes internacionais são raras. Para exercer nos Estados Unidos após a formação, é necessário passar pelo USMLE e completar uma residência, que é extremamente competitiva para médicos formados no exterior.

Gabrielle Luisa Dotti

Membro da BL USF e estudante de Ciências Biomédicas, University of South Florida

"Descobri que era possível estudar medicina nos Estados Unidos e fui atrás. Hoje curso Biomedical Sciences na University of South Florida, um caminho que segue todos os requisitos que as universidades americanas exigem para quem quer seguir a medicina tradicional. No Brasil, não pesquisamos bolsas, não sabemos que universidades públicas americanas são pagas e subestimamos o quanto um bom advisor faz diferença. Essas informações só chegam até você se você for buscá-las.

A minha maior recomendação é exatamente essa: vá atrás, sem medo de perguntar ou de errar. A USF tem advisors, programas de shadowing e recursos de pre-med, mas nada disso funciona se você ficar esperando. E quanto antes começar, melhor. Desde o primeiro semestre, entre em clubes, crie conexões e vá crescendo dentro deles, porque quatro anos passam rápido e é assim que você deixa sua marca."

Gabrielle Luisa Dotti

Membro da BL USF e estudante de Ciências Biomédicas, University of South Florida

"Descobri que era possível estudar medicina nos Estados Unidos e fui atrás. Hoje curso Biomedical Sciences na University of South Florida, um caminho que segue todos os requisitos que as universidades americanas exigem para quem quer seguir a medicina tradicional. No Brasil, não pesquisamos bolsas, não sabemos que universidades públicas americanas são pagas e subestimamos o quanto um bom advisor faz diferença. Essas informações só chegam até você se você for buscá-las.

A minha maior recomendação é exatamente essa: vá atrás, sem medo de perguntar ou de errar. A USF tem advisors, programas de shadowing e recursos de pre-med, mas nada disso funciona se você ficar esperando. E quanto antes começar, melhor. Desde o primeiro semestre, entre em clubes, crie conexões e vá crescendo dentro deles, porque quatro anos passam rápido e é assim que você deixa sua marca."

A Pergunta que Define Tudo

Onde você quer estar?

Antes de pesquisar universidades, comparar custos ou estudar para o LSAT ou o MCAT, vale sentar e responder com honestidade algumas perguntas. Você quer exercer no Brasil ou no país onde vai se formar? Tem disponibilidade para um curso de cinco a seis anos fora do país? Tem proficiência ou capacidade de desenvolver proficiência no idioma do destino que está considerando? Qual é o orçamento disponível, considerando mensalidades e custo de vida? E, se o objetivo é voltar ao Brasil, está preparado para o processo do REVALIDA ou da revalidação do diploma de Direito?

Essas perguntas não têm respostas certas ou erradas. Têm respostas suas, e são elas que devem guiar cada decisão ao longo do processo.

Cada trajetória começa com uma decisão: pesquisar, planejar e entender quais caminhos existem para o seu perfil. A BRASA Ensina existe exatamente para isso, oferecendo informação acessível e apoio concreto para que você identifique a rota que faz mais sentido para a sua história. O próximo passo é seu, e a BRASA ensina.

Em breve, a BRASA Ensina estará no Portal BRASA. Explore nosso portal aqui!